O mar em mim

 Eu tenho o mar dentro de mim.
Meus olhos moram no mar e além-mar.
Meu coração ressequido é embelezado com a mais fina e branca areia, e espera ansioso pela maré alta. 
Esse é o momento mágico em que o mar beija meu corpo e minha vida ganha um pouco de sal e umidade.
Eu tenho dentro de mim, um mar imenso.
Verde e azul. 
Mas por fora sou apenas deserto. 
Minhas florestas e palmeiras se foram. Tornaram-se lembranças de dias bons e gloriosos.
Minha alma mora no mar.
É meu corpo sonha com as altas montanhas, de onde se avista o mar.
Minha alma vive no mar enquanto o meu corpo espera o dia de encontrar o paraíso. Com a esperança de que no paraíso haja um mar. Verde, azul. Calmo, revolto. Não importa, basta que seja um mar. Que tenha cheiro de mar.
E mar cheira a paz.
Eu preciso de paz.
Necessito repousar em paz com esse mar que mora em mim.

Em cena

As cortinas já se fecharam, mas você insiste que o ato ainda pode entrar em cena.
Minhas risadas sem graça, meus olhos maquiados, meus braços e mãos gesticulando sem parar, persistem no drama que nem você e nem eu queremos viver.
Eu te peço por favor.
Você insiste, por favor. 
Meus olhos tristes se desmontam em uma cessão que só você não percebe ser demais.

Você.
Eu.
Você lá.
Eu cá.

Ainda bem que a terra é redonda e a gente pode nunca mais se encontrar.
Eu não quero mais seu mau-humor, seu temperamento, sua birra e seu dia a dia complicado.
Eu quero o meu dia a dia cheio de complicações. Mas apenas as complicações escolhidas a dedo.
Eu “quero a sorte de um amor tranquilo.” Ou de nenhum amor.
Eu não quero a sorte de enxergar cara-feia e mau-humor. Quero só a paz de uma vida tranquila. 
Pode ser uma vida sem glamour, sem vinho, sem queijo e sem beijo.
Que seja uma vida com risos, águas e macarrão.
Eu só quero a sorte de ser tranquila.
E já estou farta dos amores confusos que surgem vida a dentro. 
Estou farta de suplicar amor e receber migalhas.
Vá. Me vou. Deixe o meu corpo escravo em paz! 
Ele está cansado, roto e ferido. 
Precisando de paz..!!!

Solitude

Já tentei ser da multidão. 
Já tentei fazer parte de grupos, grupinho, grupão.
Já fui amada. Já amei.
Amei pessoas que não eram pessoas.
Gente que se disfarçava de gente.
Já amei amigos que não eram amigos
Homens que não eram Homens. Eram qualquer coisa, menos homens no sentido de humanidade, calor, respeito e afeição.
Não amei pessoas que eram pessoas, gente que era gente e homens que eram homens de verdade.
Deixei amigos verdadeiros pelo caminho e esqueci colegas que eram presentes.
Me recolhi em solidão. 
Me apartei do mundo querendo que ele mudasse. 
Mas que ilusão!!!
Eu me prendi em um planeta todo meu, sofri e chorei.
Maldisse os outros, culpei todo mundo pela minha má sorte.
E desci ao lar de Hades.
E foi então, que me descobri.
Na mais profunda tristeza encontrei a receita do sorriso.
Na mais intensa dor achei o meu bálsamo. 
Da solidão se fez a solitude e eu me vi feliz.
Comecei a gostar, novamente, do meu reflexo no espelho.

Clichê

 Eu gosto de escrever clichês. Eles são fáceis, todo mundo vive e existe um para cada situação. 

Clichê, no sentido figurado, é uma ideia já muito batida, uma fórmula muito repetida de falar ou escrever, um chavão.

Etimologicamente, a palavra clichê tem origem no francês cliché.

São sinônimos da palavra clichê: lugar-comum, repetido, chavão, comum, previsível e repetido.

Clichê era, originalmente, uma chapa metálica que trazia gravada em relevo uma imagem destinada a ser reproduzida para impressão de imagens e textos por meio de prensa tipográfica.

No caso deste texto, é mesmo por causa de um bordão. Um termo que se usa muito e muito se esquece. 

- A vida é breve.

Acredito que a gente deve ler e/ou escutar essa frase (ou algo parecido), diversas vezes por dia. Ainda assim, não nos damos conta do quão frágil é essa nossa carcaça apelidada de corpo. 

Passamos a vida não nos importando para a saúde, exagerando, comendo porcaria, bebendo um monte, saindo com diversas pessoas, machucando e sendo machucado com a única justificativa: - a vida é curta. 

Mas não, amigos-leitores. Ela não é curta. É frágil. E por mais que façamos tudo certo, podemos acordar num belo dia e perceber somente o caos ao redor. É mesmo que se percam filhos, pais, tios e amigos, o que a gente faz? Segue em frente, afinal, a vida é breve!

Mas e quando você se pega fragilizado por mãos alheias e o filme da vida, que era curta, passa pela sua cabeça e fica ainda mais curta? 

Os “amigos” sumiram, o corpo sarado não está útil e sua saúde está frangalhos? Fazer o que? - reclamar para Deus. Pedir aos anjos, aos arcanjos e todas as entidades que perdoem os seus excessos anteriores e te deem mais uma chance de viver. Talvez, ser útil. De amar e ser amado. Ser melhor?

Nunca julguei que eu tivesse medo da morte. Sempre tive mais medo de definhar aos poucos do que de morrer. Mas neste fim de semana, quando meu estado de saúde passou de ótimo para crítico e de crítico para estável, eu descobri que eu tenho medo dessa faceta da morte. Essa de dor e desespero. De tristeza e luto. 

Tive medo de não mais ver meus filhos, meu marido, minhas cachorrras, a família, os netos que não tenho. Os cães que não adotei e de não testar aqueles pratos salvos no aplicativo. Pensei no pudim que eu não fiz, na feijoada que não comi, na caipirinha que não bebi e que talvez não bebesse nunca mais. Pensei nos lindos lugares que não fui, nas pontes que não cruzei e nas praias que não me banhei. Não por minha causa, mas porque alguém resolveu que não deveria cuidar de mim direito. 

Pelas mãos de um médico que deveria resolver um problema simples, fui levada para um caminho agonizante, de dor, dúvida, lágrimas. Depois, Pelas mãos de outro médico, depois de ter sido ignorada pelo primeiro fui guiada para uma estrada com um pouco de esperança e até otimismo. 

Agora estou em casa, fora de perigo. Espero ter forças para me recuperar rapidamente. Espero abraçar todas as pessoas que me desejaram o bem. Não lembrar de quem não lembrou de mim e, enquadrar legalmente aquele que pensou que o meu corpo/templo, era só mais um que se podia ignorar depois de estragar. 

E mais, seguirei escrevendo meus clichês e lutando por um país melhor e menos desigual. Porque ser mulher é difícil, mas ser fraco das convicções é muito pior. 

Taís Morais

Master of my Soul

 Revolva meus moinhos, 

Senhor da Minha Alma!

Derreta minhas resistências

Com as gotas do teu suor.

 Finde o desencontro,

Senhor dos Meus Desejos!

Faça de mim teu templo,

A tempo.

Transforme meus rios em teus mares,

Meus risos em tuas alegrias,

Minhas loucuras nos teus caminhos certos!

Erice meus pêlos com Teus toques libidinosos.

Deixe-me viver na tua íris,

Senhor dos meus Amores!

E reviva os nossos momentos.

As nossas horas,

o nosso hoje sempre, Para sempre,

Amém.

Fratura

Há dias eu sinto uma dor intensa. 
Não melhora e não piora. Mantém-se aqui. Parada, estável, doída.
Há alguns dias o meu corpo não reage e meu coração não desaperta.
Meus olhos se confundem com as lágrimas, enxergam pouco à frente e muito do passado.

Há dias, não sei quantos dias. Nem quantas noites, eu tenho sido silêncio.
Meus lábios não fazem curvas e meu rosto não sorri.
Há dias eu me sinto feia, sem graça e nublada.
Como aqueles dias chuvosos em que a vontade é continuar sob os lençóis e edredons.

Há dias. Mais dias do que posso suportar, meu peito não consegue respirar.
Os medicamentos humanos não curam as minhas feridas e meu estômago está embrulhado.
Há dias, o céu azul e o lindo dia não conseguem me convidar para um passeio.
E não tem a ver com pandemia, nem afastamento social. Sim, com confinamento obrigatório, mas involuntário.

Há dias minha alma está quebrada.
Não há bandagem, cola ou esparadrapo que consigam colar os meus pedacinhos.
Existe apenas uma falta de ar constante, um desânimo frequente e sombras turvando minha vista.
Há dias eu tropecei no que poderia ter sido a minha perene infelicidade.
Desde então, descobri fraturas na minha Alma...

Perdição

A sua voz tem cheiro de saudade.
Saudade do seu beijo, do seu corpo.
Das suas mãos macias e sua respiração calma.

A sua voz tem gosto de sorriso.
De gargalhada gostosa, de verdades sem vergonha,
De dias leves e cerveja gelada no copo em dia quente.

A sua voz tem som de Amor.
Amor sem tempo, sem hora marcada,
Com desejo e sem despedida.

A sua voz tem imagem.
Quando a vejo, bem dentro de mim, enxergo o sol.
Enxergo o mar e a luz de um dia azul cheio de promessas.

A sua voz tem chamamento.
Tem convite para Amar um grande amor.
Amor de perdição.

Passado

Eu costumava ter estrelas nos olhos,

Asas nos pés e  Sonhos nas mãos.

Costumava vestir-me de fantasias, 

Emoldurar com flores e brilhantes o meu sorriso.

Eu costumava compreender o que me dizia o mar, 

Entrava em simbiose com o vento e minha alma se tornava brisa...

Havia um coração alegre batendo no meu peito. 

Sobravam esperanças e quimeras. Na verdade, eu era um conto de fadas feliz.

Hoje, nada resta do meu Eu de outrora. 

Eu não sou mais o vento, não sorrio estrelas e não tenho brilhantes nos olhos.

Hoje sou o eco, a lembrança e a letra esquecida.

Sou apenas eu. Nada mais.

Lugar

O meu lugar é dentro do seu coração.

Dentro do seu abraço, sentindo seu cheiro e ouvindo a sua respiração.

O melhor lugar do mundo é na sua boca. Escutando meu nome na sua voz e seu coração disparado.

O melhor lugar do mundo é dentro dos seus olhos. Ver minhas meninas retratadas no brilho que emana de você quando estamos juntos.

O melhor lugar do mundo é na nossa dança. No seu gingado que me faz sonhar e sorrir. 

O melhor lugar do mundo é nos seus sonhos, nos seus planos, nos seus dias e rotina. No aconchego da sua cama, no perfume do seu lençol, na madrugada em claro. Nos risos inocentes, nas horas que parecem parar quando estamos juntos. Pirados. Suados. Amados. 

O melhor lugar do mundo para mim é em você.

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