segunda-feira, 14 de maio de 2007

Fraturas da Alma

Sigo esta jornada solitária para desaprender a infelicidade.
Olho meus olhos em um espelho quebrado, carregado durante as minhas andanças,
Para não me esquecer quem sou, para lembrar onde estou.

Tenho um tênis velho e a foto de um cachorro antigo,
Levo no alforje uma taça para vinho ordinário e uma tesoura.
Tapetes me servem de colchonete e band-aids atam meu coração.
Na valise surrada vai um sorriso postiço usado em dias de chuva.

Guardo pedaços de uma vida em mosaicos.
Carrego a mágoa de um mundo desérto de fraternidade,
O mesmo mundo que me des-Ensinou a amar,
A desprezar o ser humano vil e amante da prata.

Não tenho camisas novas,
Nem roupas que me cabem.
Tenho apenas um amor no peito.

Amor eleito, bem feito,
Esquecido, empoeirado...

Tenho na boca um gosto de sangue
Das vinganças empreendidas,
Dos temores que tive,
Das belezas que apenas eu vi e
Dos desejos que senti.

Levo comigo a dor que o céu despejou sobre mim,
E o sorriso dos mortos que tanto admirei.

O passado é o moinho da minha alma...

A viagem mais recente

O tempo....