segunda-feira, 25 de abril de 2016

Elegia


Matamos o que Amamos.
Por vezes sentimos tanto que o coração não aguenta.
O silêncio assassina os enlaces,
A distância aniquila as emoções,
Transforma lindos afetos em enormes desastres.

Os desejos secam lentamente,
Os dias passam apressados,
Embora não saibamos, matamos o que amamos.
Nos vemos morrendo em nós 
Não buscamos nos salvar.

Fingimos e nos distraímos, mentimos para nós mesmos
Que o entusiasmo não padece de aborrecimento.
As noites definham nossos desejos,
Nada mais está no lugar que deixamos,
Apenas nossos corpos sobrevivem a esta derrota.

Entre o abrir e o fechar das pálpebras entediadas,
Sem perceber calcificamos os corações
E desalojamos o nosso Amor sublime e egoísta.

quarta-feira, 20 de abril de 2016

Repartida


Nunca pensei em dividir minha vida.
Nem com alguém, nem com algo.

Jamais sonhei em repartir-me entre o amor e o querer,
Entre viver e morrer,
Entre a alegria e a tristeza,
Entre a solidão e a saudade.

Nunca desejei repartir-me.
Por isso afasto os pensamentos das coisas que não posso ter.
Não gosto de ferir meu corpo com as ausências,
Nem injuriar minha alma com negativas...

Não me sinto culpada em derrotar os meus próprios anseios,
Quando tão mal eles querem fazer ao meu coração.
Por vezes, caio em prantos que lavam meu peito,
E adormeço até que minhas chagas curarem.

Tive medo do fogo
E incinerei a mim mesma.
Tinha pavor de água, 
Mas afoguei minha própria alma.

Com tudo isso que evitei,
Ainda consegui me magoar.
E se eu pudesse recomeçar?

- Por certo eu faria tudo outra vez.

sexta-feira, 15 de abril de 2016

Deixa-me

Deixa-me repousar no teu colo.
Descansar os pensamentos,
Desopilar os nervos,
Relaxar o coração.

Deixa-me pousar meu corpo cansado,

Convalescer meu espírito,
Atirar os pesos ao abismo,
Deleitar a mente com doces alegrias.

Deixa-me dizer muitas palavras

E não mais pensar nestes dias.
Deixa-me orar para que o tempo
Tire as bagagens dos meus ombros.

Deixa-me comunicar ao tempo

Que as horas de angústia se foram e
Os momentos débeis e assustadiços 
Não mais estão presentes.

Deixa-me despertar no regaço,

Porque necessito acordar para estar mais atenta.
Deixa-me sacudir a relva e 
Mostrar a força que possui a minha alma.

segunda-feira, 11 de abril de 2016

Ímpar

Seus olhos me contam
Tudo o que sua mente deseja;
Sua boca silencia
Tudo o que seus dedos querem me dizer.

Sua distância delimita
Os nossos contornos sensuais e
Restringem nossas intenções.

Mas quando estamos em nossas presenças,
Tudo é Ímpar.
Tudo cheira a fantasia e felicidade.
E nossos encontros se tornam contos
Sobre o território fértil da nossa luxúria.

Você,
delírio.
Eu,
loucura,
Nós,
Perfeição.

sexta-feira, 8 de abril de 2016

Eu




Eu hoje vou sorrir de todas as minhas tristezas,
E banir todas as minhas lágrimas.

Eu hoje vou alegrar toda a minha infelicidade,
E relembrar todas as minhas alegrias.

Eu serei feliz hoje,
Porque já chorei ontem.

sexta-feira, 1 de abril de 2016

O tempo

O relógio silencioso conta histórias.
Dias e horas se vão.
Pequenos parênteses começam a aparecer
Entre os olhos,
Nos sorrisos.

O relógio continua seu trabalho,
Ponteiros que nunca param.
As noites caem para nos dar um novo dia,
Mas antes conto segredos à lua.

Os segundos se vão
Mostrando os momentos para chegar e sair.
Não temos mais o mesmo tempo,
Nem para ficar nem para partir.

Às vezes contamos uma mentira e
Omitimos a verdade tão temida.
Contudo, logo nos olhamos no espelho
Que nos diz a contento:

- É impossível enganar o tempo.

A viagem mais recente

algumas notas