quarta-feira, 7 de março de 2012

O romantismo mentiroso dos tempos da ditadura militar

Cresci no tempo em que o Brasil acabava de se libertar dos grilhões da ditadura militar. Tempos que os livros de história não continham a palavra autoritarismo e muito menos faziam menção à guerrilha do Araguaia ou outras lutas contra os opositores do governo fardado.

Cresci num mundo que derrubou o muro de Berlim, dissolveu a União Soviética e comemorou o fim da guerra fria, mas não conseguiu acabar com o regime autoritário de Cuba, que perdura. Regime este que tem aqui grandes simpatizantes, e por incrível que pareça, são as mesmas pessoas que reclamam do tempo em que os nossos militares estavam no poder.
Nunca entendi essa idiossincrasia.

Não defendo ditaduras, autoritarismos ou quaisquer “ismos” que existam. Feminismo, machismo, homossexualismo, ubersexualismo, e todo o resto que não seja HUMANISMO, não entra no meu dicionário.
Desde 1996, quando a ditadura militar há pouco mais de dez anos havia se afastado do Palácio do Planalto, pesquiso assuntos referentes à ela. Em especial, a guerrilha do Araguaia. Por muitas razões, os movimentos esquerdistas rurais me chamam mais atenção que a violência e absurdo da dita “guerrilha” urbana.

Um revolucinário, na minha opinião, é aquele que se dedica à uma causa, tem uma ideologia e segue com ela até o fim. Por esse motivo, tenho os homens e mulheres que tombaram no Araguaia em alta conta. Na verdade, com exceção de alguns esquerdistas presos (os que fugiram da luta em condições muito estranhas e foram presos depois não estão incluídos) e dos camponeses torturados, os mortos do Bico do Papagaio são os únicos guerrilheiros que sempre terão meu respeito. Afinal, foram enviados para preparar uma luta sem condições de prosperar por um bando de dirigentes do Partido Comunista do Brasil que ficou nas cidades, enquanto os poucos e despreparados idealistas perseguidos nos grandes centros partiam para o ermo coração da floresta Amazônica em busca de angariar simpatizantes da massa (que massa?) para se juntar à luta inspirada na implementada na China por Mao Tse Tung – que ao longo dos anos se mostrou um exemplo de ser humano, não?

Há muitos anos leio e ouço toda sorte de absurdos a respeito da ditadura militar. Comissões de todos os tipos foram formadas para “investigar” os desaparecimentos de presos políticos e nada sai do lugar. Diversas denúncias, nomes e endereços foram divulgados, mas as tais comissões nunca deixam de existir e as punições nunca começaram a ser aplicadas. E falo isso a respeito dos dois lados. Agora surge essa tal Comissão da Verdade e eu pergunto:
- Antes eram comissões da mentira?

Algumas pessoas têm mostrado total ignorância ao falar sobre a Lei da Anistia. Outras, movidas a não sei que paixão burra, defendem punição apenas aos militares, esquecendo-se que muitos “revolucionários” explodiram seres humanos, mataram militares, sequestraram e roubaram inocentes para financiar uma luta que não iria livrar o Brasil da Ditadura, sim retiraria os fardados autoritários do Poder para instalar um outro tipo de regime de exceção, o dos esquerdistas, como o de Fidel - assassino e torturador que muitos brasileiros endeusam sabe-se lá por que razão.

Acredito piamente que um julgamento justo para militares torturadores deve ser feito. Bem como dos militantes que implementaram terror ao seu próprio povo. Mas deve ser realizado por pessoas livres de qualquer preconceito ou animosidade com a esquerda ou a direita.

E nós, povo comum, precisamos nos libertar da romântica mentira sobre os ditos revolucionários do obscuro tempo da ditadura militar. Ao contrário do que dizem, eles não conquistaram o poder a custo de muito sofrimento, luta e desapego. Não é esse o retrato fiel das pessoas que hoje fingem sobre seu passado. Vejo o que muitas pessoas não querem enxergar. Os homens e mulheres que lutaram verdadeiramente contra o regime militar, certos do que faziam e movidos por um ideal de verdade, foram jogados no esquecimento por seus próprios pares que hoje ocupam os altos escalões do governo.

Observo muitas das figuras públicas que se dizem guerrilheiros (sagrados heróis por meio da mentira repetida ao longo desses 30 anos) afirmando serem os responsáveis pela derrocada do regime autoritário, perdidos em mares de dinheiro e envoltos em nuvens de corrupção. Quando a única obrigação desses "cidadãos" é transformar o país em um lugar de gente digna na política, na Justiça e no Executivo. Mas não, as mesmas pessoas que tanto criticavam os governos anteriores, que levantaram a bandeira da moralidade, levantava o dedo para acusar, hoje ocupam o topo da lista de sujeiras, mentiras e omissão ao seu povo.

Nunca acreditei em assistencialismo. A guerrilha do Araguaia tinha como embrião a cooptação das massas por meio da ajuda entre pessoas, da politização e da informação. Mas como a máxima “o poder corrompe” tem se mostrado mais que verdadeira, me pergunto qual teria sido o nosso destino se o partido comunista do Brasil, ou qualquer outro dos que pregava o socialismo e o comunismo, tivesse ganho a luta pelo Palácio do Planalto e tomasse o poder de forma autoritária e nada democrática.

Quase posso adivinhar a resposta.

A beleza do ideal só pode ser vista quando ele não se desmancha com o tempo e com o poder como aconteceu com várias das nossas autoridades. Afundar o Brasil em bolsas-miséria nunca resolverá nossos problemas, apenas aumentará o número de analfabetos e ignorantes movidos a pão e circo. debruçar o país em histórias falaciosas do passado para montar a ficção do presente, não justificando o injustificável é, no mínimo, crime contra a nossa inteligência.

A mentira que a ditadura plantou na cabeça daqueles que cresceram em tempos sombrios é de que um povo deve ficar em silêncio e aceitar ser governado por quem lhes oferece conforto material. Mas eu afirmo que conforto só pode ser proveniente do peixe que se pesca, não do que se recebe gratuitamente.

Aos românticos “esquerdistas” de plantão, eu convido à uma reflexão: se os revolucionários dos tempos da ditadura quisessem a verdade sobre os tempos em que se dizem ter sido massacrados, eles seriam os primeiros a aceitar investigações e a abertura de arquivos de ambos os lados. Mas não é o que defendem. O Próprio Lula, grande "esquerdista e revolucionário", não liberou os documentos quando a Justiça ordenou.

Alguém me explica?

Nosso povo não precisa dessa gente hipócrita recebendo altos salários para compor comissões da verdade ou outras quaisquer. Precisa sim, de um governo que fale a VERDADE, seja ela qual for, e aja com transparência, pois se não há tortura física e nem repressão a quem vai de encontro com as atuais “autoridades” brasileiras, há a tortura psicológica e desumana de ver nosso dinheiro e nossos empregos serem distribuídos entre aqueles que só lutam em causas próprias.

Eu, particularmente, não conheço nenhum militar que tenha enriquecido. Já os nossos caros revolucionários esquerdistas...

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