Quarta-feira, Agosto 27, 2008

Novo Ano

Hoje é dia de renascer,
De morrer lembrança e cantar novas músicas.
Hoje é dia.

O meu dia.

Porém, nada faz sentido.

Nem presentes,
Nem o mundo,
Nem riquezas.

Apenas o abraço.

Que nunca veio,
Que nunca chega,
Que não tenho.

Não porquê você se foi,
Seria mais fácil.

Sim, porquê não me vê,
Nem está por perto,
Nem faz questão.

É, Mãe...
Hoje, 34,
Sem teu beijo.

Terça-feira, Agosto 19, 2008

Onde

Onde estávamos, meu Bem,
Quando o trem do bem querer passou?
Quando os dias deram claros sinais
E o anoitecer caiu sobre nossos ombros?

Onde estávamos, Querido?
Deixamos viver o mal e escapar o bem,
Não vimos nossos sonhos escorrerem,
Nem as lutas esmorecerem e os pés cansarem?

Onde estávamos, Amigo?

Esquecemos as lutas
Deixamos o tempo levar
Nosso amor cotidiano,
e o brilho do nosso olhar?

Quinta-feira, Agosto 14, 2008

Rua

O vai e vem dos motores,
O cheiro de fumaça,
Pulmões em desgraça,
Olfatos contundidos por odores.

Amarelo é o dia,
Que de cinzas enche meu peito.

Maldito desenvolvimento que esconde estrelas,
Desconstruindo o progresso,
Nos fazendo acreditar em asneiras.

Sábado, Agosto 09, 2008

Venha

Não venhas me dizer, Meu bem,
Entredentes,
Que sem mordidas fica tudo mais quente.
Nem venhas tocar-me
Com dedos moles e voluptuosos,
Dá-me teu vigor...

Venha com fome, Meu bem,
De carícias exploratórias,
Agarrando meus pêlos,
Lambendo meus poros,
Um-a-um...

Catalogue as marcas de vida
Geograficamente espalhadas pelo meu corpo,
Se deite, se deleite...

Meu bem.

Segunda-feira, Agosto 04, 2008

Vida

Um dia fui rainha;
N'outro plebéia.

Coroaram-me estrela,
Me deram pedestais,
Me enfeitaram de flores;
Cubriram-me de aplausos.

Um dia fui gente,
N'outro, nada.

Tornei-me navegadora numa viagem sem volta,
Avancei por caminhos tristes,
E outros flóreos.

Conheci um sem fim de gentes;
Fui amada, bajulada, calçada.
Detestada, ofendida, contestada.

Hoje sou apenas eco
De um tempo que vivi...